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HISTÓRICO


O ano de 1871 marca a fundação da Associação Comercial do Amazonas, quando a província mal contava vinte anos de existência, após séculos sob o jugo do Pará e Manaus com seus exíguos 17.000 habitantes ia conquistando sua celebridade como Centro do Sertão Amazônico com florescente comércio de apoio às lidas interioranas, concentradas na produção da borracha.

A abertura à navegação estrangeira do Rio Amazonas estimulava a navegação fluvial, existindo a par da Cia. Paraense de Navegação a do nosso associado ilustre Alexandre Amorim, futuro comendador, que a partir de 1874, estenderia sua linha até a Europa.

Fizeram parte da primeira diretoria José Coelho de Miranda Leão, político, comerciante e militar ilustre, celebrado na história como vencedor dos cabanos e como primeiro presidente desta Entidade; Antônio Augusto Alves foi o Secretário e José Joaquim Pinto de França, o Tesoureiro; Completavam a primeira diretoria; Manoel José Gomes de Lima e Emílio Moreira, que com seus irmãos José e Guilherme Moreira, Presidente da Entidade de 1877 a 1880, mereceram dos pósteros nomes nas ruas da cidade.

Segundo os subsídios renascentes, as reuniões preliminares tiveram lugar na residência do comerciante José Teixeira de Souza, grande comerciante, cujo Armazém Teixeira sobreviveria até época recente e foi ocupado pela Petrobrás em apoio as atividades em Nova Olinda. A primeira Sede, que se tem notícia, situava-se na esquina da Rua das Flores (atual Guilherme Moreira) com a Travessa da Glória (atual Quintino Bocaiúva). Desde essa remota data, a Associação, órgão pioneiro do empresariado amazonense, exerce sua função primordial de reivindicar e incentivar a economia, em benefício de quantos mourejam no comércio, na indústria e em todas as atividades deste vale. Provavelmente, o primeiro pleito seja o de 25 de novembro de 1871, desobrigando a navegação local da prioridade de carga para Iquitos, dirigido ao General José de Miranda da Silva Reis, Presidente da Província e ex-combatente da Guerra do Paraguai. A 10 de junho de 1872, foi pedido ao Congresso um benefício fiscal para o Amazonas de isenção de direitos sobre mercadorias estrangeiras; Em 18 de abril de 1873, pede melhor critério na formação da pauta de mercadorias, base de incidência de impostos e no dia 24 do mesmo, fez agradecimento elogioso louvando o comportamento do Inspetor da Tesouraria Geral da Província. Pleito semelhante seria feito em 1877. Em Iº de julho de 1873, consta pedido de prorrogação dos impostos dos comerciantes de Serpa (Itacoatiara). Em 1877 foi feita reclamação contra lei paraense, que tributava o pirarucu e a cachaça vendida para o Amazonas. Em 1879 foi conseguida redução de impostos e proposto voto de agradecimento e louvor à Assembléia Provincial, por Alexandre Amorim. Em 1878 protesta contra subvenção à Amazon River em detrimento das demais empresas de navegação. Em 11 de dezembro de 1879 insurge-se contra a demora do Serviço Postal. Os Estatutos e respectivas alterações para os devidos efeitos eram submetidos à aprovação das autoridades e do próprio imperador, conforme mostra despacho de 12 de julho de 1880. José Coelho de Miranda Leão, João José de Freitas Guimarães e Guilherme Moreira foram os presidentes de 1871 a 1880 iniciando a longa e fulgurante caminhada de sucesso e de realizações desta augusta Instituição.

Era do maior relevo deste período a perfeita sintonia entre a direção da Casa e os Presidentes da Província, apenas com a exceção de Sátiro de Oliveira Dias dissentindo de atos da direção.

Em 1881 eram solicitadas a criação de um Banco e a construção de Trapiche em apoio à exportação, que desempenhava um valor crescente. Em 5 de janeiro de 1884 era solicitado ao Imperador facilidade nos despachos de importação já vigentes no Rio Grande do Sul. Em 1888 a Província do Amazonas sofria crise sem procedentes, como reflexo no escasseamento das reservas brasileiras, atingindo de forma alarmante a subsistência da economia. A 12 de dezembro de 1888 era pedido um prazo de 20 dias, mediante assinatura de letras, nos direitos de exportação vencíveis nos três meses seguintes. Em 20 de setembro de 1889 pede providências urgentes para regularização das dívidas da Província ao funcionalismo e aos fornecedores. Proclamada a República, de imediato procurou a Junta Provisória, fazendo pleitos e emitindo pareceres e informações sobre o ponto de vista comercial nos assuntos em lide. Em 28 de novembro de 1889, declara à Junta Provisória que a mudança do regime em nada alcançaria as atividades comerciais. Adolpho Gotteschals, James Baird, A. H. de La Baume e Arthur Johnston foram os presidentes do período. Na última década do século, apesar das comoções políticas do centro do poder com revolta e punições, a economia do Estado se refazia com o aumento dos negócios, proporcionados pela borracha e Manaus resplandecia sob o governo de Eduardo Ribeiro.

Em 14 de dezembro de 1891 era criada na própria sede da Associação Comercial a Junta Comercial do Amazonas, cujo primeiro presidente foi José Ferreira Freitas Pedroza. Uma comissão da Associação, nomeada pelo Governador Thaumaturgo de Azevedo estuda meios para reduzir os fretes da Red Cross Line, concessionária da navegação entre o Amazonas e a Europa. Em 30 de novembro de 1893 se insurge contra a tributação das companhias de seguros, que encarecia o frete para o interior. A mesma medida seria tomada contra a selagem de documentos. Em 1897 surgiu mais uma companhia de navegação com linha para Génova – Itália, a A. Fioreta & Cia. Em 30 de novembro de 1897 define para o Governo a instalação de trapiches e facilidades portuárias. A 10 de janeiro de 1899 a Associação instala na própria sede o telégrafo ligando-a ao mundo inteiro. Em 20 de dezembro de 1900 abre subscrição para os flagelados da seca do Ceará.

Foram últimos presidentes no século, Armindo R. da Fonseca, Caetano Monteiro da Silva e José Cláudio de Mesquita.

1900 – 1950

A primeira década do século seguinte é caracterizada pelo ciclo da borracha de fastígio e progresso no Estado, realizando em Manaus o Congresso da Agricultura e exposições no Brasil e no Exterior. Em 1902 a exposição da Philadelfia, nos Estados Unidos, a de São Luís em 1904 e Rio de Janeiro, Nova Iorque e Londres em 1908. Em 1910 realizou o Congresso Comercial, Industrial e Agrícola.

Em 1903 recorreu às autoridades militares para fazer cessar conflito entre seringueiros peruanos e brasileiros na boca do rio Chandless. A Associação conseguiu que a borracha fosse beneficiada em Manaus. A 5 de julho de 1908 é lançada a Revista da ACA com vida longa e que tantos serviços prestou ao empresariado.

Presidiram a Associação no período os comerciantes Maximino José da Mota, Hanibal Porto, Joaquim Nunes de Lima, Francisco Luiz Pereira e Waldemar Sholz. A década seguinte marca os efeitos da concorrência da borracha asiática, provocando exaustivos estudos e providências estaduais e federais para conter a ameaça, que se avizinhava. Em 1912 reuniam-se os amadores em face do Regulamento da Capitania dos Portos.

Em 1914 foi feita Exposição de Londres e realizado o Seringal Miri, que perdurou até a nossa época, como obra de José Cláudio de Mesquita, emérito defensor da borracha. No período, os preços da borracha despencaram, provocando inúmeras falências, a Associação pedia constantemente que as autoridades ministrassem remédios salvadores, o êxodo rural invadia as cidades de tal sorte que o governo concedia passagem gratuita no Loide Brasileiro. Eclodiu a primeira guerra mundial, foi fundado o primeiro Banco do Amazonas, integrado com diretores da Casa, dirigido por José Cláudio Mesquita. A Associação recomendou a compra da sede dos Correios, que antes pertencia a Marius & Levy. Joaquim Gonçalves de Araújo instala o Museu da Associação. Para tão relevantes serviços os exportadores contribuíam para a Associação com 2 réis, passando a 5 réis por quilo de borracha exportada. Foi pedida a isenção de impostos a que estavam sujeitos os caixeiros viajantes. Foi solicitada a canalização dos rios do Acre. Pelo Decreto 3.333, Wenceslau Braz considera a nossa Associação de utilidade pública. Funda-se em 1912 a Federação das Associações Comerciais. Solicitada à União uma rede de comunicações em Manaus. Apoio à Câmara de Comércio de Londres para evitar a guerra, mediante arbitragem. Pedida a instalação de armazéns gerais. Presidiram a Casa Emílio Zarges, S.H. Sanford, Joaquim Gonçalves de Araújo, M. S. Gordon, Luiz Eduardo Rodrigues e Augusto Cezar Fernandes. A década dos vinte se engolfou em desabalada crise pelo fim da guerra e a epidemia da “influenza”, mas ainda desta vez é a Associação uma Fénix renascida, criando inúmeras indústrias e promovendo a exportação de chicle, extraído da abiurana. Surgiam fábricas de açúcar e de aguardente, a fabricação de saltos Coroa e outros artefatos de borracha. Ao revés perdíamos o serviço de navegação, transferido para Belém. Produzíamos a primeira longa metragem do Cinéfilo Silvino Santos, financiado por J. G. Araújo. Participamos da Exposição Ibero-Amerícana de Sevilha e em Paris da 7ª Exposição Internacional da Borracha. Recebemos em nossa Sede o Presidente Nilo Peçanha. Em 1927 é fundado o Banco Popular de Manaus. Em 1928 chegam a Manaus os primeiros imigrantes japoneses instalados em Parintins, dando origem à Vila Amazónia e a produção de juta. Presidiram a Associação Joaquim Carneiro da Motta, Joaquim Gonçalves de Araújo, José Mendes Filho e Aluízio de Araújo.

A década dos 30 foi a continuação da queda da borracha, primeiro pelo aviltamento dos preços e agora com a consequente queda da produção, agravada pela Revolução de 30 e medidas punitivas como a proibição da produção de açúcar. Como fator favorável contamos agora com a competência de Cosme Ferreira Filho, dedicado Secretário Executivo e ilustre amazonólogo. Pleito de redução dos fretes da Amazon River para viabilizar a produção regional. Promoção do Timbó, como interesse comercial de exportação. Criação do Comércio do Guaraná, Pedido de favores no embarque de juta e waicima. Reuniões de estudo e apoio à defesa da castanha, Doação à 8ª Região Militar de castanha, destinada a introduzi-la na alimentação dos soldados. Pleitos de medidas para apoio e manutenção do transporte fluvial. Instalação de uma fábrica de beneficiamento de cereais na rua dos Andradas. Instalação de escritórios de representação no Rio, em Belém e em São Paulo. Exposições a bordo do navio Almirante Jaceguay, em Vitória, em São Paulo e em Barcelona. Participação nas Feiras de Viena, Marselha, Baia Blanca e São Leopoldo. Em 1932 pleiteou a instalação de um Vice-Consulado dos Estados Unidos em Manaus. O Governador Waldemar Pedrosa por decreto assegura os recursos financeiros para a Associação. A 21 de abril de 1939 é lançada a pedra fundamental da nossa sede, empreendida durante a presidência de José Nunes de Lima, projeto do ex-presidente, engenheiro Aluízio de Araújo.

Foram presidentes no decênio: Aluízio de Araújo, George Weffner, Augusto César Fernandes, Joaquim Carneiro da Motta e José Nunes de Lima. No decênio a Região sentia o reflexo da Segunda Guerra Mundial com a invasão das forças americanas em busca de borracha, foi construído o aeroporto de Ponta Pelada e intensificado o tráfego aéreo com diminuição da cabotagem com falta de combustíveis, trigo e outros gêneros de primeira necessidade. O acordo de Washington, mantido em segredo trocou a indústria siderúrgica por preços vis de nossa borracha para cuja produção vinham ondas sucessivas de nordestinos. À época, a Associação mantinha representação em 29 cidades do interior amazônico. A Casa mantinha um serviço de assistência à agricultura. Por iniciativa de Cosme Ferreira Filho foi apresentado no Congresso projeto que criava a Estação Experimental do Guaraná, em Maués. Pelo Decreto 12.312, de 27 de abril de 1943, o Governo da República concedeu a prerrogativa de órgão consultor da União. Em 1948 realizamos a Segunda Conferência Nacional da Borracha.

Presidiram a Entidade no decênio: José Nunes de Lima, Bartolomeu Pessoa Guimarães, Waldemar Pinheiro de Souza e Jayme Bittancourt de Araújo.

1900 – atualidade

Terminada a guerra, quando a Amazônia era disputada como fornecedora de borracha, paulatinamente foi caindo no esquecimento anterior. O Governador Plínio Ramos Coelho, retirou o subsídio, de que gozava a Associação, o que obrigou a extinguir os vários serviços prestados para adequar as despesas aos recursos atuais. Entretanto empresários autênticos construíam o sonho de realização. Assim foi que surgiam a Brasil Juta, a Refinaria de Manaus e a Cia. de Eletricidade de Manaus, que encerram um longo período de escuridão. Foi pedido o reaparelhamento do Porto de Manaus, que se mostrava inadequado ao aumento das operações. Pedido ao Presidente da República a implantação do Plano de Valorização da Amazônia.

Assumiram a presidência: Ermindo Fernandes Barbosa, Jayme Bittancourt de Araújo, Isaac Benayon Sabbá e Jacob Paulo Levy Benoliel.

No decénio de 1960 à 1970 a presidência foi ocupada por Jacob Paulo Levy Benoliel, na mais longa gestão de sua história e por Mário Expedito Neves Guerreiro. Indubitavelmente a Revolução de 1964 teve benéficos reflexos na economia regional não só com a criação da Zona Franca de Manaus, mas também com o volume de obras e realizações nunca repetidas após a redemocratização. Assim foi construído o aeroporto Eduardo Gomes, a Estrada Manaus – Caracaraí, criada a Universidade do Amazonas, iniciada a Perimetral Norte abandonada posteriormente. Criado o Comando Militar da Amazônia, o Comando da Aeronáutica, a Base Naval, a instalação da SUFRAMA, do Distrito Industrial, do Distrito Agropecuário, a Transamazônica hoje abandonada. Um serviço de telecomunicações de alta tecnologia para a época e muitas outras vantagens já hoje esmaecidas na memória.

Tudo isso porém, aumentava o trabalho e a responsabilidade do empresariado, que se segmentou criando novas entidades especializadas, a maioria saída da entidade-mãe, que continua a defender os interesses de todos indistintamente, inclusive os da comunidade. Foram elevados os Pleitos, os estudos, a luta pela defesa da Zona Franca de Manaus, desde o nascedouro, atacada por seus inimigos, por inveja e por inconformismo de não participar de um plano, que deu certo. A questão fiscal nos três níveis de governo exige um esforço de vigilância indormida, digna de grandes titãs, que formam a vanguarda do empresariado. A crescente produção de juta chegou a 34.800 toneladas em 1970 para um total nacional de 71.000.

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